Academia Contagense de Letras - acl

*uma flor no asfalto*

                               RELATOS DE UM FESTIVAL

 

Noite de domingo, 1º de agosto. Uns assistiam Cruzeiro vs. Atlético, jogo jogado na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, e, como o estádio não suporta as duas torcidas, daquela vez o mando de campo era do Atlético, ficando as arquibancadas exclusivamente para a torcida alvinegra.

 

Outros, católicos, cantavam a missa na Igreja Cristo Salvador. As bandas de música que concorreram nas noites de sexta e sábado aguardavam o resultado dos 1º, 2º e 3º lugares. Os concorrentes em Voz e Violão, apenas três, ainda iriam tocar naquela noite. O mesmo com os concorrentes na categoria Poesia. Concorrentes? Para mim, não. Os com espírito de concorrência obrigam os sem a concorrerem de toda forma. Melhor deixar isso pra lá.

Poetas inscritos: a jovem Jaqueline Oliveira Brandão, poeta e prosadora radicada no bairro Petrolândia, em Contagem, candidata aprovada para membro da ACL, presença regular na rádio Vitória FM, com “Deslizes juvenis”. Foram juntos, Vinícius Fernandes Cardoso e Lecy Pereira Sousa, Vinícius guiando parte da viagem de taxi de Lecy na sua mobilete que, depois de viajar muitos quilômetros naquele final de semana, arriou exatamente ao chegar à porta da Igreja. Yendis Asor Said inscreveu duas poesias, “Palavras de um monge” e “Angelical”, esta última prosa poética. Sua esposa, Ana Cristina Antunes, natural de Montes Claros, grávida de quase nove meses, estava no hospital. Sem intérprete para ler “Angelical”, Vinícius convidou Marlon Nunes para interpretar o texto.

 

O poeta, geógrafo, baixista da circense banda Citoplasma estava lá concorrendo na categoria de Música Inédita Banda. Marlon fez que seria complicado improvisar como se não fosse ele próprio o improvisador performático do show literário “O Vazio da Época” (2004) quando causou verdadeiro blecaute, das performances pelo Circuito MambemBar, “Viva Poesia, Poesia Viva” (2008), pintando a cara e tudo mais. Depois do arroz doce, aceitou o convite e fez boa leitura, apesar das palavras/pedras que o texto de Yendis possui: “gineglossia”, “misologia” e por aí vai.

 

Jaqueline foi a primeira a subir ao palco. Para quem não a conhece direito, não sabe que ela não subia em palco, nem em tablado, nem em caixote. Era muito tímida. Maturando, maturando, a menina hoje já apresenta mais desenvoltura. Já declamou no “Arraial do Tropical”, é presença regular na Rádio Vitória FM e, danada, subiu ao palco do Belô Poético 2010 para homenagear Michael Jackson. Com o Festival da Juventude, certamente pegará mais gosto e ficará estimulada para as próximas edições.

 

Nely leu “Pela Estrada” e arrancou o terceiro lugar do júri. Yendis leu suas “Palavras de um monge”, texto em breve publicado no tópico Letras locais, nesta homepage. Tendo como fundo sonoro o “Réquiem” de Mozart, Vinícius lê interpretando “Luciano e Luciana”, romance baseado em fatos reais. Naquele dia havia conversado com o Luciano real que há meses não via. Distribuiu algumas cópias do poema para o público, para quem quisesse acompanhar lendo ou ler posteriormente. Lecy declama de coração e performa “Trecho Ermo”, arrancando o 1º do júri. A culpa é do Yendis, que animou Vinícius, Vinícius que animou Lecy. Domingo a noite é dose. Quem sabe é o Vinícius que teve que deixar a mobilete enguiçada na Igreja para buscar no outro dia, levar a Jaqueline ao ponto e ler a si mesmo para casa. No final, todo mundo vai para casa.

 

Consuelo Aragão, do Jornal Regional Contagem, registrou e escreveu sobre o 23º Festival da Juventude “Juventude servindo a arte e a vida”, basta ver e ler a última edição do jornal, disponível no site www.jornalregionalcontagem.com.br 

 

Fotos com Consuelo e Yendis.

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